Li, numa apresentação intitulada “Como se capturam porcos selvagens”, algo que me chamou a atenção e entendo interessante comentar. Devemos nos lembrar, sempre, que não existe esse negócio de almoço grátis (o “free lunch” do folclore americano, globalizado por Milton Friedman). A realidade é: se alguém está almoçando de graça é porque alguém está pagando.
Também, deve-se ter em mente, sempre, que não é possível alguém prestar um serviço mais barato do que seria se você mesmo o fizesse.
Isso pode até parecer frases de efeito, mas revela uma verdade: o fato de que muitas vezes as pessoas julgam as outras e os trabalhos das outras de forma muito simplória, até porque, às vezes, lhes convém, como fizeram certa vez com o Oscar Schmidt (o nosso “rei do basquete”), chamando-o de “mão santa”, ao que ele contestou: “Não existe mão santa. Existe é mão muito bem treinada”.
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Isso ocorre amiúde na prestação de serviços. Muitas pessoas têm uma dificuldade enorme em remunerar por algo que não podem palpar, que não podem levar consigo para ficar apreciando.
Faz-me lembrar um fato verídico na minha cidade natal. Havia um cidadão especialista na abertura de cofres (e não era ladrão). Certa feita, foi chamado pelo dono de um hotel - abro um parêntese: naquela época, pouco mais de 30 anos, parece saudosismo, hotel ainda tinha dono. Não era como as grandes corporações de hoje, com direito às regras do novo mercado, governança corporativa, sustentabilidade, IPO, IFRS, SPC, SPE etc .- fecho o parêntese - para abrir um cofre cujo segredo, por alguma razão, ninguém estava conseguindo resgatar. Ele o fez, em menos de cinco minutos e, quando indagado, disse seus honorários, ouviu a seguinte resposta: “Puxa. Tudo isso, só para abrir um cofre? Está muito caro!”. Ele, com a maior naturalidade do mundo, fechou a porta do cofre, girou o segredo, e disse: “Pode procurar outro profissional. Você nada me deve”.
A grande questão é que, muitas vezes, na prestação de serviços, principalmente os de natureza intelectual, que não é como um cofre e seu segredo, vale o provérbio chinês: “Há três ações que jamais voltam, ou são recuperadas: a flecha disparada, a palavra dita, a oportunidade perdida”.
Um assunto que você passou anos estudando, acumulando experiências até formatar e dar respostas firmes e convincentes, solucionando problemas, não tem como ser apagado da mente do seu interlocutor uma vez exteriorizado.
O que acham?
J.V. Rabelo de Andrade.
Advogado, contador, membro da 100PORCENTO AUDIT – AUDITORES INDEPENDENTES S/a
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