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Quem é ele:
Médico por formação, político por vocação e pernambucano sertanejo de coração, Inocêncio Gomes de Oliveira nasceu em Serra Talhada, Sertão de Pernambuco, no ano de 1938, numa modesta família de classe média. Graduou-se em 1963 como laureado de turma pela tradicional Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Pernambuco.
No exercício do nono mandato parlamentar consecutivo, tendo sido eleito pela primeira vez deputado federal em 1974 para assumir o cargo em 1975, ocupa atualmente o cargo de 2o.Vice-Presidente da Câmara dos Deputados, para o qual foi indicado pelos seus pares em 1° de fevereiro do ano passado. Já ocupou os seguintes cargos na Mesa Diretora da Câmara dos Deputados: Presidente: 1993-1994; 1o. Vice-Presidente: 1989-1990 e 2003-2005; 1o. Secretário: 1991-1992 e 2005-2007.
Nas eleições gerais do ano passado, 2006, o deputado Inocêncio Oliveira foi reeleito para o novo mandato federal com 181.126 votos, a maior votação obtida por um parlamentar do então Partido Liberal em todo o País e a segunda maior entre todos os candidatos de Pernambuco. Apesar do grande percentual de abstenção e votos inválidos, seu percentual individual atingiu 4,32 % do eleitorado que compareceu às urnas. Foi reconhecido como uma das principais lideranças responsáveis pela consolidação da candidatura majoritária de Eduardo Campos (PSB) rumo ao segundo turno.
No dia 16 de setembro de 2005, o deputado Inocêncio Oliveira filiou-se ao Partido Liberal, agremiação que veio a se transformar em Partido da República com a junção do extinto Prona. É o presidente regional do Partido da República em Pernambuco, sendo uma das principais lideranças da sigla em todo o País. O PR atualmente conta em Pernambuco com 35 prefeitos, cinco deputados estaduais e centenas de vereadores, ex-prefeitos e lideranças comunitárias, empresariais e municipalistas.
Eleito para o cargo de presidente da Câmara dos Deputados no biênio 1993-1994, o pernambucano Inocêncio Oliveira assumiu durante 12 vezes, interinamente, num total de 64 dias, a Presidência da República, em substituição ao então presidente Itamar Franco. Já exerceu anteriormente os cargos de 1o.Vice-Presidente, 2o. Vice-Presidente e 1o. Secretário da Câmara dos Deputados.
100PORCENTO – Qual a sua visão estratégica no que diz respeito à industrialização do interior do Governo do Estado?
Dep. Inocêncio Oliveira – Interiorizar o desenvolvimento é um imperativo de integração nacional, nesta era do conhecimento, da informação e da tecnologia sem fronteiras. Esta tem sido minha bandeira de lutas em mais de 30 anos de atividades parlamentares como deputado federal. Em Pernambuco existem os pólos dinâmicos de desenvolvimento: a fruticultura irrigada no Vale do São Francisco, o pólo gesseiro no Araripe, o mármore e a pecuária leiteira em todo o Agreste, o pólo têxtil no Agreste, a cana-de-açúcar e a biomassa na Zona da Mata, o pólo de informática, médico-hospitalar e de serviços na Região Metropolitana do Recife. Compete ao governo proporcionar a infra-estrutura adequada em termos de energia, transportes, saneamento e segurança, de modo a estimular e dinamizar os arranjos produtivos locais e os pólos dinâmicos de desenvolvimento. Nesta perspectiva é que se insere a política desenvolvimentista do Governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva e do governador Eduardo Campos. Assim como os bandeirantes dos tempos coloniais levaram as conquistas da civilização rumo ao Interior, os novos bandeirantes da tecnologia e da era da informática devem percorrer as estradas do conhecimento para levar mais qualidade de vida às populações do Interior. Estas são prioridades dos poderes públicos. O governador Eduardo Campos, que está mudando o perfil econômico de Pernambuco, tem dito que devem ser implantadas outras “Suapes” no Interior.
100PORCENTO – A Ferrovia Transnordestina, que liga o Porto de Suape, no Recife, ao Porto de Pecém, em Fortaleza, começou a ser construída em 2006. Quais benefícios essa construção trará para Pernambuco?
Dep. Inocêncio Oliveira – A implantação da ferrovia Transnordestina é uma aspiração mais que secular de nossa região e foi concebida desde os tempos imperiais. Como empreendimento de integração das nossas economias regionais, a Transnordestina será utilizada para o transporte de grãos, gesso, produtos agropecuários e industriais, mercadorias destinadas ao consumo interno, frutas do Vale do São Francisco e demais itens que compõem nossa pauta de exportações. A desativação de ferrovias nos tempos pioneiros do automobilismo foi um erro histórico, mesmo tendo sido privilegiado o setor rodoviário, pois o modal ferroviário é o mais econômico e eficiente para o transporte de grandes cargas e a grandes distâncias. De tal modo reduz o custo Brasil e torna-se imprescindível para dinamizar nossas atividades econômicas produtivas.
100PORCENTO– Qual a previsão para o término da Ferrovia?
Dep. Inocêncio Oliveira – Por ser um empreendimento de grande magnitude, deverá demandar um prazo de execução a médio e a longo prazo. O importante é que haja uma solução de continuidade e que estejam alocados recursos do Orçamento Geral da União, conforme ficou estabelecido no Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal.
100PORCENTO – É público o seu desejo em transformar o sertão pernambucano num oásis de oportunidades para a população daquela região, evitando o êxodo das populações do sertão para o litoral. Através de suas ações, o sertão já conta com o ensino superior. Qual a sua colaboração para a construção da Transnordestina?
Dep. Inocêncio Oliveira – A instalação em minha cidade natal Serra Talhada de um campus da Universidade Federal Rural de Pernambuco é uma conquista da qual muito me orgulho e foi proporcionada pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva. O presidente apresentou seu testemunho público de que a iniciativa foi um gesto em deferência à minha pessoa. Já foram realizados os exames vestibulares e funcionam seis cursos superiores, de Ciências da Computação, Engenharia de Pesca, Ciências Biológicas, Licenciatura em Química, Zootecnia e Veterinária. São cerca de 400 professores universitários incorporados às atividades sócio-econômicas e educativas da cidade. Equivale a um investimento de 16 milhões de reais que reverte em benefício de toda a população do Sertão do Pajeú, sob a forma de educação, emprego e ascensão social para os jovens. Defendo o princípio de que os jovens do Interior, do Sertão, do Agreste e da Zona da Mata, merecem ter as mesmas oportunidades de educação e promoção social que as pessoas nascidas na Capital e na Região Metropolitana. É um direito de cidadania que independe de limites geográficos.
100PORCENTO – Quantos empregos diretos e indiretos essa obra proporcionou aos brasileiros?
Dep. Inocêncio Oliveira – O conjunto de obras estruturadoras previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), já em implantação ou em fase de licitação, com certeza irá transformar a fisionomia econômica de Pernambuco e do Nordeste e, consequentemente, elevar o Produto Interno Bruto da Região de modo considerável. Nesse contexto o quantitativo de empregos diretos e indiretos a serem gerados é de grande dimensão, mas fixar números é um cálculo impreciso. As regiões mais debilitadas economicamente – o Nordeste e o Norte – são mais beneficiárias e serão atenuados os desníveis regionais com o Sul e o Sudeste.
100PORCENTO – A realidade hídrica, principalmente nos aspectos atinentes à oferta e uso das águas, é um tema recorrente nos debates sobre o Semi-árido. Essa preocupação tem sido recorrente nos meios industriais, empresariais, políticos e privados. Quais são as alternativas em torno dessa questão?
Dep. Inocêncio Oliveira – Perenizar rios, construir adutoras e barragens e ampliar a agricultura irrigada são as vertentes que compõem o sistema de obras hídricas a serem implantadas ou concluídas no Interior do Nordeste. Já temos exemplos concretos e promissores a apresentar. Lutei durante décadas junto ao Governo Federal e hoje vislumbro com alegria a concretização de antigas aspirações das populações sertanejas. Ainda mais estamos avançando nessa direção. A redenção econômica do Interior e do Semi-Árido resulta em equilíbrio e correção das desigualdades regionais, menos êxodo rural e menos inchaço nas regiões litorâneas. Proporcionar infra-estrutura adequada às comunidades do Interior é mais barato que investir nos centros urbanos já saturados.
100PORCENTO – A transposição do Rio São Francisco será efetivamente uma solução para o abastecimento de água no Semi-árido?
Dep. Inocêncio Oliveira– O primordial é preservar o Rio São Francisco como manancial de riquezas da natureza em seu leito natural e fonte energética do complexo hidrelétrico de Paulo Afonso. Para tanto, propus que as nascentes de todos os rios sejam cercadas e mantidas como áreas permanentes de preservação ambiental. As matas ciliares ao longo de todo o percurso do São Francisco também devem ser preservadas pelas prefeituras de cada município em nome do equilíbrio de todo o ecossistema ambiental. No caso da transposição das águas para outras regiões do Nordeste, propus que Pernambuco, como Estado doador e ao mesmo tempo receptor, seja contemplado como a conclusão da Adutora do Pajeú, como medida compensatória. A transposição do “Velho Chico” e a conclusão de diversas adutoras no Estado e no Nordeste são obras prioritárias contempladas pelo Programa de Aceleração do Crescimento do Governo Federal. Portanto, a transposição do rio deve ser feita concomitantemente com a revitalização do rio e seus afluentes.
100PORCENTO – Sabe-se que as secas do Nordeste são periódicas e, enquanto fenômeno natural, não há como combatê-las. Todavia, os seus efeitos podem ser enfrentados com tecnologias apropriadas, tornando possível a convivência do homem com o meio árido. Estamos vivendo a era onde a vontade política dizimará a seca que castiga o Nordeste há décadas?
Dep. Inocêncio Oliveira – O fenômeno das secas sempre foi enfrentado de forma errada, pois ao invés de combate-las como fenômeno cíclico que se repete deve-se aprender a conviver com ela. As secas no Semi-Árido nordestino, assim como as geadas em outras latitudes são fenômenos da natureza que se repetem de modo cíclico e são, portanto, inevitáveis. Ao mesmo tempo, a tecnologia e os conhecimentos científicos existem para que o homem se contraponha aos efeitos negativos desses fenômenos. Cabe a nós utilizar os instrumentos adequados e explorar as vocações econômicas peculiares a cada região. O Centro de Caprino-Ovinocultura de Serra Talhada tem sido uma experiência vitoriosa que avança com a experiência e a capacidade dos nossos pesquisadores, trabalhadores e agricultores. A vontade política no governo do presidente Luís Inácio Lula da Silva, concretizada sob a forma de investimentos no sistema hídrico do Semi-Árido nordestino, segue na direção de reverter gradualmente uma herança secular que penaliza as populações sertanejas.
100PORCENTO – A transposição do S.Francisco criará uma nova fronteira agrícola em Pernambuco?
Dep. Inocêncio Oliveira – O conjunto de obras estruturadoras a serem implementadas pelo PAC irá dar nova dimensão às fronteiras agrícolas e também às fronteiras agroindustriais, pecuárias, extrativistas e às atividades econômicas produtivas no geral. Em termos econômicos, Pernambuco e o Nordeste já vão além do conceito que se atribuía ao Brasil na era pré-industrial, quando se dizia que este era um País essencialmente agrícola. Hoje o Brasil explora o agronegócio, transformando os seus produtos naturais em riquezas destinadas ao consumo interno e à exportação, de modo a gerar renda e empregos para a população. |