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Entrevista com o secretário de Recursos Hídricos e Presidente da Compesa: João Bosco de Almeida |
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100PORCENTO - Criada em 2007, a Secretaria de Recursos Hídricos é responsável pela execução das políticas hídricas e saneamento de todo o Estado. Quais as suas metas para Pernambuco durante a primeira gestão da Secretaria? João Bosco de Almeida - É importante destacar que Pernambuco não contava com uma Secretaria de Recursos Hídricos. O que existia era uma diretoria, ligada à Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado. Nesta gestão, o governador Eduardo Campos determinou a criação da Secretaria, dando à gestão das águas a dimensão maior que ela merece. Conseguimos formar uma excelente equipe, reunindo os melhores quadros profissionais e especialistas da área. Temos como meta planejar e organizar o cumprimento de um plano ousado: universalizar o abastecimento de água em 08 anos e o saneamento completo, com esgotos, em 12 anos. Já elaboramos em detalhes as ações deste plano e já identificamos as possíveis fontes de investimento para garantir sua realização. Estimamos um orçamento da ordem de mais de 7 bilhões de reais. |
Um plano factível, estratégico para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento de Pernambuco, um estado com uma das piores disponibilidades hídricas do país. Entre nossas metas também está a criação da Agência Estadual da Água, reforçando o aspecto institucional da gestão hídrica. 100PORCENTO - Quais os projetos em execução, atualmente, pela Secretaria de Recursos Hídricos? JBA - Estamos coordenando a retomada das obras para conclusão da Adutora de Afogados da Ingazeira – uma obra que recebeu recursos do Proágua e foi iniciada em 2001, mas estava paralisada desde 2005, devido a problemas de estouramento nos canos utilizados. A adutora vai beneficiar a população dos municípios de Carnaíba, Quixaba, Solidão e Afogados da Ingazeira, no Sertão do Pajeú. Uma população total de cerca de 50 mil pessoas. A retomada dos trabalhos para conclusão da Adutora, só foi possível graças a uma negociação que fizemos com a empresa responsável pela obra que vai concluir a adutora sem ônus para o Estado. Também acabamos de concluir o plano estratégico de recursos hídricos e saneamento, que inclui as propostas para universalização do abastecimento de água e do esgotamento sanitário nas áreas urbanas de todo o Estado de Pernambuco. Nossa proposta tem como meta universalizar o abastecimento num prazo de 8 anos e o essgotamento sanitário em 12 anos. Há projetos de abastecimento de água e esgotamento sanitário para todos os 185 municípios de Pernambuco e nós vamos articular para obter os recursos junto às diversas fontes de financiamento. A Secretaria de Recursos Hídricos, juntamente com a Compesa, vai coordenar ainda o trabalho de execução das obras incluídas no PAC – Plano de Aceleração do Crescimento – do governo federal. Pelo PAC, estão previstos mais de 30 projetos de saneamento básico para Pernambuco. Grandes obras como o Sistema Pirapama já estão sendo licitadas. As obras do Sistema Pirapama vão envolver a construção de adutoras, estação elevatória, estação de tratamento de água, reservatórios, grandes anéis de distribuição, entre outros componentes de um sistema de abastecimento de água. A obra do Sistema Pirapama, que vai contribuir para acabar com o problema de abastecimento d'água do Recife, Cabo de Santo Agostinho e Jaboatão dos Guararapes e melhorar a distribuição de água em Camaragibe e São Lourenço da Mata ( RMR) está orçada em R$ 407 milhões. Os recursos são do Ministério da Integração Nacional, BNDES, Governo do Estado e Compesa. A previsão é de que o processo licitatório dure 90 dias. O prazo de execução das obras é de 36 meses. 100PORCENTO - Existe uma grande parte da população pernambucana que ainda não recebe água tratada em suas residências. O mesmo aplica-se às indústrias e em pólos extremos, como o Complexo Industrial de Suape, ao Sul, e o pólo fármaco-químico, ao Norte do Estado. De que forma pretende-se suprir essas necessidades? JBA - Estamos investindo cerca de R$ 50 milhões na obra de integração da Barragem Pirapama ao Sistema Gurjaú, que deverá ser concluída em dezembro. Para se ter uma idéia dos benefícios que serão trazidos pela obra, o Cabo de Santo Agostinho vai ficar livre do racionamento que já se estende por 20 anos. A obra também vai beneficiar a população de Jaboatão dos Guararapes e da Zona Sul do Recife. No total, 500 mil pessoas vão ser beneficiadas com a integração Pirapama-Gurjaú. O Complexo Portuário de Suape também vai ter um incremento na oferta de água. Com a obra de integração, as barragens Bita e Utinga deixarão de contribuir com o abastecimento da Região Metropolitana do Recife e serão direcionadas exclusivamente para suprir a demanda do complexo portuário e industrial. 100PORCENTO - Existe na Compesa, algum projeto em andamento relativo à PPPs, ou alguma privatização prevista? JBA - Sim. Nos capacitamos neste novo modelo de parceria, a público-privada e estamos preparando um projeto com este perfil, para licitar o saneamento da orla do Grande Recife. Será nosso piloto, a partir do qual poderemos ampliar a atuação com PPPs. 100PORCENTO - As empresas e indústrias brasileiras estão adotando cada vez mais uma postura ecológica nas execuções dos seus projetos e ações, demonstrando a preocupação com a preservação do meio-ambiente. Existe algum projeto na secretaria de Recursos Hídricos voltado para este assunto? Como a Secretaria e a Companhia de Saneamento de Pernambuco comporta-se diante desta nova realidade? JBA - Nós assinamos um protocolo de intenções com a Prefeitura de Jaboatão dos Guararapes para criação do parque Ecológico de Jangadinha. A reserva de mata atlântica de Jangadinha, que pertencente a Compesa, será transformada em um parque multifuncional para atender à população da Região Metropolitana do Recife. A idéia é implementar ações multilaterais no parque, envolvendo o Estado, o município e a comunidade para o uso sustentável da reserva, evitando invasões, depredação e exploração inadequada da área. O local vai oferecer atividades educativas, esportivas e de lazer, como a realização de trilhas ecológicas, eventos ambientais, educacionais. 100PORCENTO - A Compesa encontra-se preparada física e organizacionalmente para desenvolver as ações a que se propõe no atual governo? JBA - A empresa tem problemas, apresentando ineficiência operacional. O maior problema é o déficit na tecnologia. Temos dificuldades no controle operacional da rede, nos controles internos também. O nível de informatização é baixo, de forma que temos consciência de que há muito a ajustar, aperfeiçoar. A rotina aqui tem sido de realizar manutenções corretivas e não preventivas, mas temos um plano estratégico para enfrentar estas dificuldades. Estamos comprando um sistema de informática , para incrementar nossa base tecnológica, numa licitação estimada em 6 milhões de reais. Já adquirimos 250 mil medidores e estamos trabalhando num conjunto de ações para combater as perdas. Já concluímos uma experiência exitosa no bairro de San Martin, o distrito 30. Tiramos o distrito do racionamento, revisamos cadastros, automatizamos a operação e controlamos vazamentos. Resultado: A demanda que antes era de 14 mil m3/dia, caiu para 8 mil m3/dia. Vamos escrever manual com esta experiência e replicar em todo o Estado. A estimativa é de necessitarmos de um investimento da ordem de R$ 200 milhões. 100PORCENTO - Com a nova articulação envolvendo o BNDES e o governo de Pernambuco o que muda no cenário do Estado? JBA - A operação de compra de ações com o BNDES não vai mais ser feita porque houve um entendimento sobre isso com a Caixa Econômica. O BNDES é um parceiro da Compesa em várias ações em Pernambuco. 100PORCENTO - Existe algum plano de fiscalização para impedir o mau uso ou até mesmo o desvio da água, que causa tanto prejuízo ao Estado? JBA - A Compesa está desenvolvendo um programa de combate às perdas físicas e comerciais. O programa inclui um trabalho de aferição e monitoramento do índice de perdas e implementa ações básicas de combate ao problema como a setorização, macrome macromedição, controle da pressão, pesquisa de vazamentos e micromedição, além de atualização de cadastros e combate às ligações clandestinas. 100PORCENTO - O que o cidadão deve fazer para verificar e ter certeza da pureza da água que é consumida nas residências? JBA - Manter as tubulações internas da residência em boas condições, sem vazamentos e sem contatos com rede de esgotos; construir as caixas d´águas distantes das fossas (a CPRH informa as distâncias padrôes quando se vai pedir a licença para construção das fossas sépticas); manter as caixas d´águas limpas, lavando-as duas vezes por ano (no site da COMPESA tem instruções de como fazer isso); reparar o mais rápido possível os vazamentos internos na residência; e informar a COMPESA quando perceber algum vazamento nas ruas; ou se tem alguma perda visual da qualidade da água, para que se possa investigar a razão e fazer as correções necessárias; isso é importante para conseguirmos a cooperação e co-responsabilidade do cidadão para manutenção da qualidade do serviço. 100PORCENTO - Quantos municípios pernambucanos a Compesa alcança atualmente, com os serviços de abastecimento d’água e esgotamento sanitário? JBA - Atualmente, a Compesa atende a 172 municípios com abastecimento de água e 18 com esgotamento sanitário. |
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